Foz do Lisandro
Calou junto à foz disfarçado desvio
o leito do rio que de areias secou
Tem margens sem vida que o calor já crestou
melancólicos sonhos ao poeta infligiu
Viraram-lhe a rota noutra direcção
pra dentro da praia em banhos navegável
Tractores matinais limpam o solo arável:
O turismo é cultura que também dá pão.
Margens da jangada são o ouro que resta
em afagos de vento ao tempo estival
acesa está a chama feita Portugal
que arde no meu peito de dor e de festa.
19/08/2010
Mavilde Lobo Costa
imagem tirada da net
A Promessa
Paira no ar a promessa do fruto que vão gerar
Talvez nasça pra Dezembro, quando outro Inverno chegar
E a minha riqueza aumenta, novo ouro, mais fortuna!
Uma neta, outro tesouro, nova história que nos une
Fico feliz nesta ânsia, pois nada mais tem valor
Da árvore que gerou frutos, florescem frutos de amor…
Flor tecida de renda em poema original
Minha estrela, melhor prenda do presépio,
meu Natal!
23/05/2011
Mavilde Lobo Costa
(imagem tirada da net)
Gaivotas do meu País
Gaivotas do meu País
nas asas levam beleza,
dos símbolos da raiz
na Bandeira Portuguesa.
No bico têm a vitória
dum Abril que despertou,
e nas penas a memória
do tempo que já passou…
Da ditadura a cor,
ficou-lhes nas penas negras,
nas brancas têm o vigor
de superar as tristezas.
Mas vivemos como as aves,
as dúbias penas cinzentas;
Abril, foi um golpe d’asa,
neste Cabo das Tormentas…
18/03/07
Mavilde Lobo Costa ´
(In Raízes Douro)
imagem tirada da net
A poesia
A poesia, passeia pela rua vestida de pensamento
Desbrava a intimidade do ser
e pousa conscientemente nos caminhos da solidão
Canta e ri das tropelias da vida
mostra-se em cada gesto,
em cada jeito
e sobrevive em cada virar de esquina
Chega no sopro do vento
reflecte-se no muro alto e cego
edificado nas razões agrestes
É um gerador de vontades e compromissos
residente em todos
e em tudo o que nos rodeia
Dependente apenas
do olhar que nasce
na alma do poeta
12/08/09
Mavilde Lobo Costa
imagem tirada da net
Cheires
Há uma terra no mapa com raízes avoengas
Possui da nobreza a nata com viscondessas e lendas
Foi origem de famílias vetustas , com seus brasões
Casas de reis e fidalgos com armas; condes, barões
Deu origem aos Teixeiras que vivem em Portugal,
Em Celeirós, S.Romão, Sanfins e Vila-Real,
Sabrosa e Alijó, Favaios e Presandães
Tudo começou em Cheires, com Don Teo ou sua mãe
Aos Açores e Cabo-Verde estenderam os seus ramos
De Ormuz até Angola raízes de transmontanos
Em Moçambique e Brasil, impôs-se o nome Teixeira.
Sementes do nosso nome percorrem a Terra inteira.
Mavilde Teixeira Lobo
08/02/2011
Que saudades
Que saudades eu tinha do Cais das Colunas.
Ver o Tejo a passar entre as margens ligado,
o Terreiro do Paço; o Martinho d’Arcada
e o Fernando Pessoa com poemas no olhar
Que saudades eu tinha da cor amarela
a imperar altivez no Terreiro do Paço.
Do espelho das águas, onde D. José
cavalga incessante presenças e mágoas
Já larguei meu barco, soltei-lhe as amarras
aos tapumes preso e muros de paisagem,
Lisboa navega e brinca no cais,
saudando no Tejo a constante viagem
Passadeira vermelha ao povo estendi,
salão de visitas tão cheio de sol
e vejo passar todos por aqui;
nobres do trabalho, no Paço Real.
30/10/2010
Mavilde Lobo Costa
imagem tirada da net
Despedida
Já larguei a bata branca
e as histórias que contém,
do peso que tive aos ombros
alguns bolsos rebentei
Na cor limpei problemas
filtrei doentes; famílias.
Hoje fica a descansar,
cruza os braços duma vida.
Estendeu a mão e ouviu,
quem à sua cor chegou.
Foi bússola, farol e rio
no cursos que orientou
Tantas histórias de vida,
tantos livros para ler!
Por vezes foi pomba ferida
na inconstância do poder
Mas hoje no fim da estrada,
parada vai descansar
finalmente a pomba branca
fica livre e vai voar…
27/09/2010
Mavilde Lobo Costa
Na casa que é Portugal, altaneira em voz de fado
vimos cantar as Janeiras num País atrapalhado
Que os Reis Magos nos valham e a água dos camelos
Pois a crise aperta tanto, que aos chouriços, nem vê-los!
Que família generosa neste palácio encantado!
Passa-nos a mão no bolso, à reforma e ordenado
Se não nos pomos a pau, com um porrete na mão,
Os senhores da casa alta, não dão chouriço nem pão.
E os pastores que se cuidem, a caminho de Bebém
que levem roupa ao Menino, que inda nem roupa tem
Pois com tanto candidato a fingir-se presidente:
Dão 2000 anos de tanga dum governo mendicante
Mavilde Lobo Costa
imagem tirada da net
Natal de Setembro
Já nasceu o meu menino!
Meu presépio meu natal!
Fez-me avó, tocou-me o sino da herança genial.
Este natal de Setembro, de génese preservada
Levou-me ao infinito, esta esperança renovada
Tenho o natal no meu seio
No berço de minha filha
Meu tesouro, meu enleio
Menino d’ouro que anseio
Ser milagre, maravilha!
23/09/2010
08/08/2010
Mavilde Lobo Costa
Turquia
Conheci berços do mundo, Géneses da Humanidade
onde os deuses se aquietaram em únicas divindades
Terras mais férteis que o mel, histórias em arte contadas,
cidades Santas de Judeus, Árabes e Cristãos misturados
Vi Éfeso de S. Paulo, a Tróia da bela Helena
Lendas de cavalos de pau desfeitas no Mar Egeu
Ancara a capital, que Ataturk adorou,
mais que santo ou outro deus, que a ferro e fogo imperou
Vi seitas rodopiantes, lenços de seda vaidosos,
fingida modéstia ao léu, paisagens belas, formosas!
Com Istambul a meu pés, estarrecida beleza,
onde inclino a cabeça ao Ser supremo que a fez
Lugares de culto ao Artista que o Homem Espírito elegeu
templos, palácios mesquitas; ouro, sal, peles e fitas
de seda, rubi e turquesa onde o povo padeceu
Vi pão, arroz e azeite, papoilas de ópio sem fim
Tapetes de Alibabá em culturas de jardim
E a bela Capadócia que o vento modelou
Deixou-nos suspiros doces que o vulcão regurgitou
Vi castelos de algodão em puras águas termais
desde o tempo dos Romanos em piscinas naturais
A Turquia é poderosa, intemporal, invejada
“Olho gordo dos vizinhos”, cruzamento de caminhos,
por terra e por mar faz estrada
princípio e fim da Europa…fim e princípio da Ásia…
04/07/2010
Mavilde Lobo Costa